O problema passa a residir nas teimosias e nas famosas "receitas de bolo" como se o músculo tivesse um contagiro indicando zonas de hipertrofia muscular: De 12 não pode passar... na oitava repetição o músculo começa a crescer. Essas "afirmações", não encontram respaldo na literatura.
... E se for executado, digamos uma série de 10 repetições de uma
rosca bíceps em dez segundos? O resultado é o mesmo que executar no
dobro do tempo? E no triplo do tempo... bem devagarzinho?
Bom, você amigo leitor já percebeu diferenças, porque gastando
mais ou menos tempo envolve, o que a fisiologia chama de vias
metabólicas preferenciais de acordo com o estímulo. Ou seja, o
combustível certo no momento certo.
Vamos colocar mais lenha nessa fogueira? E
se o exercício for executado com tempos diferentes nas contrações
concêntricas e excêntricas? Por exemplo. Levar mais tempo para
descontrair do que contrair. Também muda a forma de recrutamento das
unidades motoras e conseqüentemente o resultado do volume muscular
desejado e as devidas adaptações bioquímicas. Embora não haja
unanimidade entre os estudiosos, existem revisões científicas sugerindo
que as contrações excêntricas (segurar a descida), estão mais
relacionadas com as microlesões e respostas anabólicas através da
supercompensação, (Revista Brasileira da Ciência e Movimento Outubro
2001).
No primeiro exemplo, das repetições rápidas, o corpo recorre aos
chamados fosfatos de alta energia, (anaeróbia alática) que vem a ser a
energia pronta no músculo para ser usada. Mas, ela acaba logo e o corpo
precisa de um tempo maior de descanso entre as séries para repor a essa
energia pelas vias aeróbias. No segundo caso, no dobro do tempo, o
combustível teoricamente vem do metabolismo anaeróbio de glicídios
(Robergs, Robert A. 2002) possivelmente aumentando as concentrações de
lactato e reduzindo o pH. Já no terceiro caso, tempos muito maiores, a
via metabólica preferencial passa a ser o oxidativo. Logo, em cada uma
dessas variáveis há de supor-se a ocorrência de diferentes estímulos nos
músculos e claro, diferentes respostas.
Não é difícil concluir também que em cada caso as cargas
fatalmente serão diferentes. Com tempos mais curtos e poucas séries,
suporta-se cargas maiores. Tempos maiores, com mesma carga,
possivelmente haverá um esgotamento muscular antes da décima repetição.
Haverá resposta de hipertrofia? Se for dado o devido tempo de
recuperação, sim. O que não devemos fazer é afirmar: "tem que ser 8, 10,
ou 12 repetições". "Tem que ser três séries". O princípio básico da
hipertrofia
muscular é quebrar a homeostase (equilíbrio), agredindo, por assim
dizer, as fibras musculares e como resposta bioquímica o anabolismo
(crescimento). Os descansos insuficientes entre as séries, ou a
insistência em um número fixo de repetições, podem provocar uma resposta
bioquímica contrária de destruição da fibra muscular conhecida como
catabolismo. O estímulo certo no tempo certo é capaz de produzir
respostas hormonais satisfatórias, especialmente no que diz respeito ao
GH
(hormônio de crescimento), a insulina e a testosterona, hormônios
intimamente ligados à hipertrofia muscular.
Em tese, os tempos de contração moderados a altos com descansos
curtos, podem estimular o GH e cargas altas com descansos longos, a
testosterona. Vale ressaltar que a influência do GH na hipertrofia
muscular não é tão aceita pela comunidade científica como é a da
testosterona. As conclusões ainda são muito contraditórias.
Alguns
autores, como Verkoshansky 2000 e Poliquin citado pelo prof. Paulo
Gentil associam
o aumento de massa muscular ao "tempo" em que o músculo permanece sob
tensão, não necessariamente "x" repetições. O primeiro autor fala em 40 a
60 segundos numa série com uma carga de 80% do máximo e o segundo em 20
a 70 segundos para gerar respostas bioquímicas e fazer realmente o
músculo crescer. Isso pode fazer mais sentido. Esses tempos, na média,
seriam o suficiente para executar entre 8 a 12 repetições com duração de
4 a 6 segundos cada uma. Se fixarmos a série em "tempos", possivelmente
o número de repetições não serão os mesmos nas duas, três ou mais
séries em virtude do esgotamento natural ao longo do exercício.
Portanto, galera da musculação. Tente na próxima seção de treinamento fixar a série no "tempo" para ver a diferença, e não a receitinha de bolo que todo mundo faz.
Portanto, galera da musculação. Tente na próxima seção de treinamento fixar a série no "tempo" para ver a diferença, e não a receitinha de bolo que todo mundo faz.
Fonte:copacabanarunners.net

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